A Solidão do Pastor
Pastores costumam ser pessoas solitárias por vocação. Conheço muitos pastores que têm amigos de verdade, e, no entanto, têm forte tendência à solidão ! A maior parte deles vive se remoendo, enquanto lutam com seus problemas interiores, sem poder encontrar um amigo de confiança com o qual desabafar. Não podem conversar sobre seus problemas e conflitos com os membros da igreja; e sequer com os demais obreiros. Desabafam com Deus, enquanto derramam o coração em lágrimas em seus momentos de solidão. Pastores sofrem com a solidão. Ainda que acompanhados de tanta gente, cercados de colegas ministeriais, quase sempre vivem sóis.
Geralmente os obreiros que os cercam não o fazem como amigos ou companheiros de jugo, vivem de encômios - aplaudem e elogiam em busca de cargos ou privilégios. Raramente encontra-se um amigo que viva o compromisso de ajudar o líder, a ponto de admoestá-lo com amor.
Por outro lado, o líder em evidência se põe perante os demais colegas ministeriais como gente de esfera superior, que não precisa da ajuda de ninguém, como super-homem, intocável, impecável - isto mesmo, no sentido de que nunca peca - inviolável e que sabe superar seus problemas naturalmente sozinho, sem o ombro, a palavra e a ajuda de ninguém. Perante seus amigos e colegas tem uma imagem colorida de sucesso e poder - mas tais pastores são pessoas ímbeles, débeis, fracas, e esquecem que o poder de viver integralmente a vida cristã, reside : 1) na dependência de Deus, 2) no apoio da família, e 3) na força de seus irmãos e amigos. Alguns deles são extremamente carentes desses três requisitos tão indispensáveis.
Pastores são como águias que voam sóis e vivem nos céus distantes - acima dos problemas - sem se livrar deles. Deveriam agir como águias quando a sóis com Deus, despojados de toda "vaidade, presunção, soberba e orgulho", se permitindo ser tratado, cuidado, orientado pelo sumo pastor que é Deus.
Eis a razão porque os pastores aprendem a sofrer calados. Choram aos pés do Senhor confessando suas faltas, sentindo sozinhos, quando gostariam de ter um amigo por perto. Mas, desabafar com quem ? Arredios e acostumados a serem traídos, inteligentemente se calam. E sofrem. Gostariam de ter um amigo para conversar sobre sexo, dificuldades com a esposa, insegurança quanto aos filhos, tentações, finanças, problemas pessoais, mas sofrem ignotos, temendo o colega infido - infiel. Imaginam que podem ser traídos e prejudicados. Que diferença a confissão de pecados que os noviços e monges faziam ao seu superior nos mosteiros ! Nada do que era confessado podia ser usado contra eles em juízo. Depois que se confessavam, seus superiores se calavam sem jamais poder usar da confissão de seu subalterno como prova de condenação em juízo. Um superior quando sabia que o noviço pecara contra a igreja não aceitava confissão, do contrário a pessoa não poderia ser questionada por ele no tribunal.
Na falta de confessores, os pastores digladiam-se internamente com seus traumas e pecados. Esquecem que a confissão traz alivio à tensão, desabafa sentimentos, cura e traz paz interior. A confissão e as lágrimas ajudam o pastor a sentir que é humano, ao mesmo tempo em que é espiritual. A confissão afasta a caligem e impede que o obreiro se torne biltre e mendaz.
O verdadeiro líder encontra noutro líder, apoio, pois ambos reconhecem a fragilidade e a tendência ao pecado do ser humano. O verdadeiro líder entende que as pessoas vivem na fraqueza, e ele também sabe que vive as mesmas fraquezas. As Escrituras não escondem as fraquezas e as tentações dos homens de Deus, até dos mais íntimos de Jeová. Noé, Abraão, Moisés, Davi, Elias e demais homens de Deus tiveram seus momentos de fraqueza, e alguns deles são vistos em momentos de depressão, e quando o escritor aos hebreus deles se utiliza para falar da fé, não menciona, em momento algum suas fraquezas, mas a fé e a perseverança que lhes levou a obter o galardão. Todos tiveram temores. Sara, a esposa de Abraão não creu - e, no entanto aparece em Hebreus como mulher de fé ! Algumas daquelas fraquezas são imperdoáveis e inadmissíveis hoje pela liderança de certas denominações.
Que pastor não tem um exemplo de traição, de um obreiro que agiu de solércia - de ardileza a relatar ? Quem transmitiu ao rebanho a idéia de que nós, pastores vivemos do gáudio e do júbilo apenas ? Por que o rebanho imagina que o pastor e seu báculo com seu aspecto dominante são intocáveis ? Todos temos fraquezas.
Podemos recender ao perfume de Deus, ao brilho de sua glória, mas Deus sempre deixa um quê de imperfeição para manter-nos humildes diante dele. Na vida familiar uma esposa que não acompanha o obreiro ministerialmente, um filho que se desvia; um negócio que emperra; uma calúnia que nos atordoa; um pecado do qual não conseguimos nos desvencilhar; qualquer coisa, para que nos envergonhemos de nossa imperfeição. O pastor - quando olha para o espelho e vê refletido nele a glória de Deus tem a tendência de se exaltar, mas ao olhar para si mesmo, percebe que a glória de Deus que sobre ele está acentua sua imperfeição, e se põe a chorar!
Paulo tinha uma fraqueza; todos temos fraquezas. Os santos caminham com fraquezas. Sempre que pensava em contar vantagens - gloriar-se - um mensageiro de Satanás esbofeteava a Paulo. Creio que esse espinho na carne não era uma doença física, mas alguma coisa no mundo espiritual. Já que visões, sonhos e revelações estão bem acima do natural, esse espinho, bem como o demônio que o atormentava situavam-se numa esfera espiritual. Deixe-me dizer isto : Certas marcas de pecado jazem em nossa mente a fim de lembrar-nos de que somos salvos e vivemos por causa da graça de Deus. Paulo orou três vezes - mas Deus não afastou a imagem que o oprimia. Deus conhece a fraqueza de Paulo e indica-lhe que terá de conviver com ela toda a vida. A resposta de Deus ? "A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo..." (2 Co 12.9).
"Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós" (2 Co 4.7).
Meu nobre colega pastor, deixe-me dizer uma coisa: A glória de Deus somente opera em vasos imperfeitos. E nossa imperfeição está ali, apontando para nós, dizendo-nos que precisamos de Deus, sempre ! Deus deixa certas falhas nos seus filhos para que aprendam a depender exclusivamente dele. A glória e a graça de Deus vêm sobre nós escondendo nossas fraquezas. Assim como os pés dos querubins eram pés de bezerro, na descrição de Ezequiel - feios - mas brilham com a glória de Deus, nosso caminhar é santificado por sua glória.
Somos como o Mefibosete da Bíblia. Este neto de Saul, aleijado de ambos os pés; este filho de Jônatas é agora trazido para a casa de Davi e com ele come à mesa. Mas era aleijado ! No entanto, suas pernas não eram vistas, ficavam encobertas sob as toalhas da mesma do rei! (2 Sm 9). Somos imperfeitos no nosso caminhar - temos pés que não condizem com a natureza de glória, estes, no entanto, têm suas imperfeições cobertas com o brilho da glória de Deus!
No meio das tribulações - sejam elas devido a erros cometidos, a falhas humanas ou vindas diretamente de Satanás, o peso de glória é eterno, acima de toda comparação (2 Co 4.18). Porque a glória que sobre nós brilha vem de Deus. Apenas refletimos a glória de Deus!
Por isso, ao descrever este relato, faço-o na certeza de que não estou traindo alguém que me confiou seus temores. A pessoa em questão pode ser você mesmo que me lê. A que me refiro está velha demais para se importar com o fato. Viajo e ministro com pastores de todas as igrejas e de todas as denominações. Alguns homens de Deus abrem sua vida comigo à busca de soluções para seus problemas pessoais. E não posso trair a confiança em mim depositada.
O velho pastor abriu seu coração comigo. Ele tinha perguntas e inquietações não respondidas. Homem de ministério ilibado, reconhecido pela igreja, contou-me que lutou a vida toda contra as tendências homossexuais que o perturbavam periodicamente. Aceitava-se como heterossexual, constituíra família, mas não conseguia entender o por quê das tentações. Tivera uma experiência ou outra quando moço, mas depois que se convertera - afirmou - jamais voltara a práticas homossexuais por considerá-las pecado. As tentações o assombravam continuamente. Jamais se livrou delas ao longo da vida. Sofrer tentações sem pecar é o segredo da vitória.
Um hino da Harpa Cristã de linda melodia, diz:
Tentado não cedas; ceder é pecar;
Melhor e mais nobre, será triunfar;
Coragem ó crente! Domina teu mal
Deus pode livrar-te, de queda fatal!
É uma alusão ao texto de hebreus 4.15: "Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado (...) e é capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram, pois também ele mesmo está rodeado de fraquezas".
É nesta confiança, amado pastor, que confessamos ao Senhor nossas faltas, porque ele nos entende. À semelhança do sumo sacerdote que vivia cercado de fraquezas e que precisava, ele mesmo fazer a purificação de seus pecados antes de expiar os pecados do povo, também nós precisamos entender que os colegas que nos cercam vivem rodeados de fraquezas, que erram, e, como nós, são perdoados.
O nosso Senhor Jesus assumiu a forma humana, "para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote, nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados" (Hb 2.17-18).
Em Cristo, João A. de Souza filho
Recebido por e-mail, de : prfernandes@terra.com.br
_________________________________
Pr Eduardo Silva
UM SERVO A SERVIÇO DE DEUS !
Agenda, atualidades, composições, curiosidades, estudos, seminários, simpósios, palestras, músicas, sermões e atualidades. Residindo em Fortaleza, CE, Brasil.
Zaps +55 85 988833668 / +55 85 985268849 - E-mail : preduardosilva@hotmail.com - Canal : www.youtube.com/user/pastoreduardosilva
terça-feira, 31 de março de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
Reflexão-24 - Um Sinal de Fumaça pode não ser o Fim!
Um certo homem saiu em uma viagem de avião. Era um homem temente a Deus; sabia que Deus o protegeria sempre. Durante a viagem, quando sobrevoavam o oceano, um dos motores falhou e o piloto teve que fazer um pouso forçado nas águas. Quase todos morreram, mas ele conseguiu agarrar-se a algo flutuante que o manteve sobre as águas, vivo. Ficou boiando à deriva durante muito tempo até que chegou a uma ilha desabitada.
Cansado, porém vivo, agradeceu a Deus por aquele livramento maravilhoso, mesmo de certa forma triste pelos que não sobreviveram. Ficou ali se alimentando de peixes e ervas. Conseguiu derrubar algumas árvores e com muito esforço, construir uma casinha para se amparar. Na verdade não era bem uma casa, mas um improvisado abrigo feito de pedaços de madeiras e folhas, que significava proteção.
Àquele homem ficou ali, mesmo diante do que havia acontecido, todo satisfeito e mais uma vez agradeceu a Deus, porque podia finalmente, dormir sem medo dos animais selvagens que habitavam àquela ilha.
Um dia, depois de haver feito uma pescaria para sobreviver, todo feliz com o resultado de sua empreitada, voltando para a sua simples tenda tamanha foi a sua surpresa ao ver a sua modestia casinha em chamas. Ele se sentou numa pedra chorando e dizendo em prantos : "Deus ! Como é que o Senhor podia deixar isto acontecer logo comigo? O Senhor sabe que eu preciso muito desta casa para poder me abrigar, e o Senhor deixou justamente ela pegar fogo, Senhor! " . Onde está a tua compaixão e o teu amor por mim?
Vencido pelo cansaço, ele acabou dormindo. Horas depois ele acordou assustado, pois, uma mão pousou no seu ombro e ele ouviu uma voz dizendo :"Vamos, rapaz!". Ele se virou para ver quem estava falando, e qual não foi a sua surpresa quando viu em sua frente um marinheiro fardado e dizendo : "Vamos rapaz, nós viemos te buscar !". Retrucou ele sem entender nada : "Mas, como isto foi possivel, quem é voce, como chegou aqui, Como voce soube que eu estava aqui?". Ora, respondeu o marinheiro, vimos os seus sinais de fumaça pedindo socorro. O capitão ordenou que o navio parasse e me mandou vir lhe buscar naquele barco ali adiante.
MORAL DA HISTÓRIA, é comum nos sentirmos desencorajados e até mesmo desesperados quando as coisas vão mal e não acontecem como desejamos. Mas Deus age em nosso benefício mesmo nos momentos de dor e sofrimento, contrariando às vezes toda lógica humana.
Lembre-se : Se algum dia o seu único abrigo estiver em chamas, esse pode ser o sinal de fumaça que fará chegar à você a Graça Divina, o socorro pronto e imediato de Deus, a manifestação do cuidado do Senhor para com os seus, dos quais ele nunca se esquece ...
"Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti". Isaías 49.15
(Reebido por e-mail, de um amigo)
______________________________
Pr Eduardo Silva
Cansado, porém vivo, agradeceu a Deus por aquele livramento maravilhoso, mesmo de certa forma triste pelos que não sobreviveram. Ficou ali se alimentando de peixes e ervas. Conseguiu derrubar algumas árvores e com muito esforço, construir uma casinha para se amparar. Na verdade não era bem uma casa, mas um improvisado abrigo feito de pedaços de madeiras e folhas, que significava proteção.
Àquele homem ficou ali, mesmo diante do que havia acontecido, todo satisfeito e mais uma vez agradeceu a Deus, porque podia finalmente, dormir sem medo dos animais selvagens que habitavam àquela ilha.
Um dia, depois de haver feito uma pescaria para sobreviver, todo feliz com o resultado de sua empreitada, voltando para a sua simples tenda tamanha foi a sua surpresa ao ver a sua modestia casinha em chamas. Ele se sentou numa pedra chorando e dizendo em prantos : "Deus ! Como é que o Senhor podia deixar isto acontecer logo comigo? O Senhor sabe que eu preciso muito desta casa para poder me abrigar, e o Senhor deixou justamente ela pegar fogo, Senhor! " . Onde está a tua compaixão e o teu amor por mim?
Vencido pelo cansaço, ele acabou dormindo. Horas depois ele acordou assustado, pois, uma mão pousou no seu ombro e ele ouviu uma voz dizendo :"Vamos, rapaz!". Ele se virou para ver quem estava falando, e qual não foi a sua surpresa quando viu em sua frente um marinheiro fardado e dizendo : "Vamos rapaz, nós viemos te buscar !". Retrucou ele sem entender nada : "Mas, como isto foi possivel, quem é voce, como chegou aqui, Como voce soube que eu estava aqui?". Ora, respondeu o marinheiro, vimos os seus sinais de fumaça pedindo socorro. O capitão ordenou que o navio parasse e me mandou vir lhe buscar naquele barco ali adiante.
MORAL DA HISTÓRIA, é comum nos sentirmos desencorajados e até mesmo desesperados quando as coisas vão mal e não acontecem como desejamos. Mas Deus age em nosso benefício mesmo nos momentos de dor e sofrimento, contrariando às vezes toda lógica humana.
Lembre-se : Se algum dia o seu único abrigo estiver em chamas, esse pode ser o sinal de fumaça que fará chegar à você a Graça Divina, o socorro pronto e imediato de Deus, a manifestação do cuidado do Senhor para com os seus, dos quais ele nunca se esquece ...
"Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti". Isaías 49.15
(Reebido por e-mail, de um amigo)
______________________________
Pr Eduardo Silva
quarta-feira, 25 de março de 2009
Reflexão-23 - No Egito, de volta ao Passado!
Entrei por uma porta estreita e baixa, descalcei os sapatos e vi-me cara a cara com a história. A capela esfumaçada, o chão atapetado, os pés descalços não me deixaram esquecer: eu estava no mosteiro de São Macário da Igreja Ortodoxa Copta, cerca de 150km de Cairo.
Uma construção no meio do deserto. A experiência foi única. Viajei no tunel do tempo até o quarto século depois de Cristo (lembre-se, este é o vinte e um). A fumaça era incenso e meu olfato me ligava ao Divino - como cearense, gosto da idéia de “cheirar” Deus.
Acompanhado por outros pastores evangélicos, apertei a mão do monje Irineu. Um senhor de 59 anos de idade, que nunca faz a barba e que nos recebeu recoberto por um hábito preto; além do barrete preto, ele ainda usava véu. Irineu tem PHD em farmacologia. Entrou para vida monástica há mais de trinta anos e durante todo esse tempo nunca colocou os pés do lado de fora - não tem contato com o mundo, com a mídia ou com qualquer amenidade secular.
Com a missão de orar e trabalhar, Irineu cuida da impressão dos livros que seus irmão monjes escrevem sobre espiritualidade, história e teologia. Os coptas (copta significa egípcio) acreditam ser discípulos do evangelista Marcos. O monasticismo egípcio teve origem bem antes das tradições monásticas católicas.
Na época das perseguição que os cristãos sofreram na Alexandria, alguns homens entenderam que deviam preservar a fé, refugiando-se no deserto. São Macário, influenciado por Santo Antônio, por volta do ano 340 AD, assumiu a direção de um desses refúgios. Para que a fé não se corrompesse, Macário fez voto de viver em absoluta solitude (a raiz mono em monasticismo significa vida só).
Perguntei a Irineu, como era seu dia. Falando baixinho, contou que todos acordam as 4 da madrugada e oram até as seis. Tomam café da manhã em silêncio. Trabalham nas hortas, pomares e criação de ovelhas e vacas leiteiras. Almoçam em silêncio. Oram por mais duas horas. Estudam ou trabalham até às seis. Depois todos se trancam nas celas e jantam (ou não) sozinhos. No dia seguinte, a mesma rotina.
Alguns pastores que acompanhavam a visita franziram a testa. Outros se mostraram indignados com a falta de envolvimento dos monjes com as necessidades do mundo. Incenso escandalizou os mais intolerantes. Mas eu me extasiei com a visita. Como não me impressionar com uma página importante da fé cristã? O legado desses homens preservou documentos vitais; devemos a copistas, estudiosos e místicos a continuidade da mensagem de Cristo na época da corrupção dos cardeais e dos papas. Época dos pelegos da fé.
Na capela onde 49 monjes foram trucidados, lembrei-me que o ramo "protestante-fundamentalista-evangélico-pentecostal" que me formou tem pouco lastro, menos de 150 anos. O mosteiro de São Macário sobrevive há 1500.
Irineu largou emprego e família, trocou de nome, fez voto de castidade e de pobreza. Todos os dias lê a Bíblia e se coloca na brecha da intercessão, suplicando a Deus para que não deixe o mundo despencar na sarjeta. Não sei se teria coragem para fazer o mesmo, portanto, não posso criticá-lo. Na despedida, pedi que me incluisse em suas orações, pois eu é que sou miserável, cego e nu.
(Soli Deo Gloria)
Pr Ricardo Gondim
(Transcrito do site http://www.ricardogondim.com.br/, link Estudos)
_____________________________
Pr Eduardo Silva
Uma construção no meio do deserto. A experiência foi única. Viajei no tunel do tempo até o quarto século depois de Cristo (lembre-se, este é o vinte e um). A fumaça era incenso e meu olfato me ligava ao Divino - como cearense, gosto da idéia de “cheirar” Deus.
Acompanhado por outros pastores evangélicos, apertei a mão do monje Irineu. Um senhor de 59 anos de idade, que nunca faz a barba e que nos recebeu recoberto por um hábito preto; além do barrete preto, ele ainda usava véu. Irineu tem PHD em farmacologia. Entrou para vida monástica há mais de trinta anos e durante todo esse tempo nunca colocou os pés do lado de fora - não tem contato com o mundo, com a mídia ou com qualquer amenidade secular.
Com a missão de orar e trabalhar, Irineu cuida da impressão dos livros que seus irmão monjes escrevem sobre espiritualidade, história e teologia. Os coptas (copta significa egípcio) acreditam ser discípulos do evangelista Marcos. O monasticismo egípcio teve origem bem antes das tradições monásticas católicas.
Na época das perseguição que os cristãos sofreram na Alexandria, alguns homens entenderam que deviam preservar a fé, refugiando-se no deserto. São Macário, influenciado por Santo Antônio, por volta do ano 340 AD, assumiu a direção de um desses refúgios. Para que a fé não se corrompesse, Macário fez voto de viver em absoluta solitude (a raiz mono em monasticismo significa vida só).
Perguntei a Irineu, como era seu dia. Falando baixinho, contou que todos acordam as 4 da madrugada e oram até as seis. Tomam café da manhã em silêncio. Trabalham nas hortas, pomares e criação de ovelhas e vacas leiteiras. Almoçam em silêncio. Oram por mais duas horas. Estudam ou trabalham até às seis. Depois todos se trancam nas celas e jantam (ou não) sozinhos. No dia seguinte, a mesma rotina.
Alguns pastores que acompanhavam a visita franziram a testa. Outros se mostraram indignados com a falta de envolvimento dos monjes com as necessidades do mundo. Incenso escandalizou os mais intolerantes. Mas eu me extasiei com a visita. Como não me impressionar com uma página importante da fé cristã? O legado desses homens preservou documentos vitais; devemos a copistas, estudiosos e místicos a continuidade da mensagem de Cristo na época da corrupção dos cardeais e dos papas. Época dos pelegos da fé.
Na capela onde 49 monjes foram trucidados, lembrei-me que o ramo "protestante-fundamentalista-evangélico-pentecostal" que me formou tem pouco lastro, menos de 150 anos. O mosteiro de São Macário sobrevive há 1500.
Irineu largou emprego e família, trocou de nome, fez voto de castidade e de pobreza. Todos os dias lê a Bíblia e se coloca na brecha da intercessão, suplicando a Deus para que não deixe o mundo despencar na sarjeta. Não sei se teria coragem para fazer o mesmo, portanto, não posso criticá-lo. Na despedida, pedi que me incluisse em suas orações, pois eu é que sou miserável, cego e nu.
(Soli Deo Gloria)
Pr Ricardo Gondim
(Transcrito do site http://www.ricardogondim.com.br/, link Estudos)
_____________________________
Pr Eduardo Silva
Reflexão-22 - O Diabo Mora na Porta da Necessidade !
Jesus disse aos judeus que Deus poderia “das pedras suscitar descendência à Abraão”.
Entretanto, Ele negou-se a transformar pedras em pães. Mas, paradoxalmente, iniciou Seu ministério transformando água em vinho. Portanto, quando da tentação—ocasião na qual negou-se a transformar pedras em pães—a ênfase não recai na violência essencial, do ponto de vista físico, que tal “transformação” implicaria, mas sim nas razões que o induziam a ver naquilo uma tentação.
Ele estava sendo sugestionado pelo diabo, e, em toda sugestão que carregue uma motivação errada, não importando o que seja, seguí-la, é sempre algo mal. Aqui, neste ponto, fica claro que a questão de Jesus para não realizar aquele feito, não era de natureza moral e nem teológica, mas sim existencial. Seguir aquela sugestão seria mal tanto em razão da motivação—de um lado, fome; de outro, demonstração de poder—, quanto também em razão do motivador : o diabo.
De fato, o diabo mora na esquina onde a necessidade e oferta se encontram sob o patrocínio da fome. O interessante, naquele episódio, é que o diabo não faria nada, e não fez nada, exceto sugerir que Jesus fizesse algo por Si mesmo. Isto porque o diabo precisa do indivíduo para realizar qualquer coisa. O diabo não realiza nada na Terra sem o homem.
O mal não é pré-definido, necessariamente. Às vezes ele o é, e todos sabemos quando ele já chega com sua própria cara. Na maioria das vezes, entretanto, o mal não tem cara de nada mal, exceto pelo fato que ele realiza o casamento da necessidade instintual ou existencial, com a oferta de algo que seria anti-natural, mas realizaria um alívio imediato. As tentações que nascem do instinto e da existencialidade são poderosas.
Aliás, essas são as únicas tentações que de fato tentam. O erro, nesse caso, está na entrega da necessidade à sugestão que vem de fora. É esse ceder à sugestão aquilo que conflitua a alma. Isto porque, sozinho, Jesus jamais transformaria pedras em pães a fim de se alimentar. Mas quando o diabo se imiscui no ambiente da necessidade, então, a simples fome virou tentação. Ter fome não é mal, ao contrario, é bom. Pouca coisa é tão ruim quanto fome zero. Viver sem fome pode ser muito ruim, e quem já sofreu de algum tipo de inapetência sabe o que estou falando.
O equilíbrio da existência está entre a fome e o pão. Pão sem fome é um horror, e fome sem pão é uma desgraça. É justamente nesse limbo que o diabo mora!O diabo não vive do que é mal, mas sim de transformar o que é bom em algo ruim, pois que, tal coisa, se realizaria como concessão dele. O diabo adora pretender fazer concessões.
Ele sabe que são essas concessões ilegítimas aquilo que torna até o ato de comer pão em algo culposo.Na realidade aceitar algo como concessão do diabo é aquilo que torna qualquer coisa em algo ruim. Nesse caso, o corpo treme de fome, e as pulsões de estranhos desejos se somam à necessidade, e a alma mergulha a caminho da transgressão a si mesma. Pior do que a fome é o pão que carrega a sugestão do diabo!Jesus se viu livre da tentação não negando a necessidade (o pão), mas afirmando a necessidade superior do ser : comer também e, sobretudo, a Palavra de Deus.Negar a fome aumenta a tentação. Assumi-la, esvazia a tentação.
Quando você estiver com “fome”, e for algo normal, não negue a fome—afinal, depois de 40 dias e noite quem não estivesse morrendo de fome seria anormal—, ao contrário, respeite-a e chame-a pelo nome, você mesmo, e não deixe que ninguém se torne senhor de sua necessidade.Jesus saiu dali e foi comer. E comeu comida de anjos. Mas só comeu o que era bom porque negou-se a comer conforme o cardápio do diabo. Nenhuma necessidade humana é pecaminosa.
A pecaminosidade da necessidade é apenas fruto da sugestão e de como ela vem. Ora, assim como é com Deus, assim também é com o diabo, pois a questão não é o quê, mas sim como. Sim, eu repito : a questão não é o quê—posto que todas as coisas provêm de Deus—mas sim “como”, posto que nem tudo o que é bom, é bom sempre, pois todo bem se torna em mal quando o patrono da solução é o diabo. Assim, não se preocupe com a sua fome, mas apenas com as “soluções” que você encontra. E lembre-se : Nem só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus.
(Caio Fábio)
Extraido do site : http://www.caiofabio.com.br/, link Reflexão
_____________________________
Eduardo Silva
Entretanto, Ele negou-se a transformar pedras em pães. Mas, paradoxalmente, iniciou Seu ministério transformando água em vinho. Portanto, quando da tentação—ocasião na qual negou-se a transformar pedras em pães—a ênfase não recai na violência essencial, do ponto de vista físico, que tal “transformação” implicaria, mas sim nas razões que o induziam a ver naquilo uma tentação.
Ele estava sendo sugestionado pelo diabo, e, em toda sugestão que carregue uma motivação errada, não importando o que seja, seguí-la, é sempre algo mal. Aqui, neste ponto, fica claro que a questão de Jesus para não realizar aquele feito, não era de natureza moral e nem teológica, mas sim existencial. Seguir aquela sugestão seria mal tanto em razão da motivação—de um lado, fome; de outro, demonstração de poder—, quanto também em razão do motivador : o diabo.
De fato, o diabo mora na esquina onde a necessidade e oferta se encontram sob o patrocínio da fome. O interessante, naquele episódio, é que o diabo não faria nada, e não fez nada, exceto sugerir que Jesus fizesse algo por Si mesmo. Isto porque o diabo precisa do indivíduo para realizar qualquer coisa. O diabo não realiza nada na Terra sem o homem.
O mal não é pré-definido, necessariamente. Às vezes ele o é, e todos sabemos quando ele já chega com sua própria cara. Na maioria das vezes, entretanto, o mal não tem cara de nada mal, exceto pelo fato que ele realiza o casamento da necessidade instintual ou existencial, com a oferta de algo que seria anti-natural, mas realizaria um alívio imediato. As tentações que nascem do instinto e da existencialidade são poderosas.
Aliás, essas são as únicas tentações que de fato tentam. O erro, nesse caso, está na entrega da necessidade à sugestão que vem de fora. É esse ceder à sugestão aquilo que conflitua a alma. Isto porque, sozinho, Jesus jamais transformaria pedras em pães a fim de se alimentar. Mas quando o diabo se imiscui no ambiente da necessidade, então, a simples fome virou tentação. Ter fome não é mal, ao contrario, é bom. Pouca coisa é tão ruim quanto fome zero. Viver sem fome pode ser muito ruim, e quem já sofreu de algum tipo de inapetência sabe o que estou falando.
O equilíbrio da existência está entre a fome e o pão. Pão sem fome é um horror, e fome sem pão é uma desgraça. É justamente nesse limbo que o diabo mora!O diabo não vive do que é mal, mas sim de transformar o que é bom em algo ruim, pois que, tal coisa, se realizaria como concessão dele. O diabo adora pretender fazer concessões.
Ele sabe que são essas concessões ilegítimas aquilo que torna até o ato de comer pão em algo culposo.Na realidade aceitar algo como concessão do diabo é aquilo que torna qualquer coisa em algo ruim. Nesse caso, o corpo treme de fome, e as pulsões de estranhos desejos se somam à necessidade, e a alma mergulha a caminho da transgressão a si mesma. Pior do que a fome é o pão que carrega a sugestão do diabo!Jesus se viu livre da tentação não negando a necessidade (o pão), mas afirmando a necessidade superior do ser : comer também e, sobretudo, a Palavra de Deus.Negar a fome aumenta a tentação. Assumi-la, esvazia a tentação.
Quando você estiver com “fome”, e for algo normal, não negue a fome—afinal, depois de 40 dias e noite quem não estivesse morrendo de fome seria anormal—, ao contrário, respeite-a e chame-a pelo nome, você mesmo, e não deixe que ninguém se torne senhor de sua necessidade.Jesus saiu dali e foi comer. E comeu comida de anjos. Mas só comeu o que era bom porque negou-se a comer conforme o cardápio do diabo. Nenhuma necessidade humana é pecaminosa.
A pecaminosidade da necessidade é apenas fruto da sugestão e de como ela vem. Ora, assim como é com Deus, assim também é com o diabo, pois a questão não é o quê, mas sim como. Sim, eu repito : a questão não é o quê—posto que todas as coisas provêm de Deus—mas sim “como”, posto que nem tudo o que é bom, é bom sempre, pois todo bem se torna em mal quando o patrono da solução é o diabo. Assim, não se preocupe com a sua fome, mas apenas com as “soluções” que você encontra. E lembre-se : Nem só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus.
(Caio Fábio)
Extraido do site : http://www.caiofabio.com.br/, link Reflexão
_____________________________
Eduardo Silva
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Reflexão-21 - Três Inimigos!
Três Inimigos
Albergo três inimigos, três sentimentos que me espreitam nas esquinas das madrugadas: fracasso, impotência e culpa. Lido mal com as inadequações, sofro com a fraqueza e arquejo debaixo do peso dos erros.
As exigências sociais me deixam arfando. Fatigado, não me sinto apto. Sou calouro desafinado, buzinado nos poucos minutos da apresentação. Piso na bola à poucos metros da linha do gol. Gaguejo na entrevista. Tropeço em cadarços soltos. Não consigo subir os degraus da piedade.
Continuo em falta com a divindade. Sou um constrangimento religioso. Depois de décadas, nada poupei para a velhice. Frustrei os anseios paternos. Constrangi mamãe em seus últimos dias de vida. Despedaço o ícone que fizeram de mim. Não dou vida ao mito. Anseio permanecer comum. Rasgo o simulacro da personagem que apresento nos palcos.
Admito a minha impotência. Dispo-me da capacidade dos ungidos. Não consigo decretar milagre. Fico sem encabrestar o meu próximo. Meus argumentos não passam de arrazoamentos inconvincentes. Nada me chega fácil. Aprendo devagar. Esqueço o que decorei. Não me antecipo aos incidentes. Não controlo o porvir. Desconheço a saída do labirinto.
Os erros passados me aterrorizam. Sou melancólico. Pressinto que transgredi a lei, maculei a eternidade, constrangi estatutos infinitos. A maldade dos outros é mínima; sou pior. Os erros dos outros, irrelevantes; sou pior. Cabisbaixo, procuro a penitência mais adequada para o meu pecado.
Depois de admitir-me fracassado, impotente e culpado, faço as pazes com a minha alma. Pergunto: quem estabeleceu uma régua para eu me medir? Quem me outorgou o mandato de controlar as variáveis incontroláveis do universo? Qual o sentido deixar que a culpa me atole na lama da autocomiseração?
Não preciso desempenhar para ser precioso. Não preciso manipular para experimentar liberdade. Não preciso ser perfeito para despistar o remorso. Levanto a cabeça. Sei que o meu valor não depende de alcançar a perfeição. Pisoteio o fracasso, desdenho a impotência e faço da culpa uma aliada para recriar o futuro.
______________________________________
(Soli Deo Gloria)
Pr Ricardo Gondim
(Transcrito do site http://www.ricardogondim.com.br/, link Estudos)Acesse nossos sites musicais, baixe todas as músicas, ouça-as e deleite-se no Senhor!
_____________________________
Pr Eduardo Silva
Albergo três inimigos, três sentimentos que me espreitam nas esquinas das madrugadas: fracasso, impotência e culpa. Lido mal com as inadequações, sofro com a fraqueza e arquejo debaixo do peso dos erros.
As exigências sociais me deixam arfando. Fatigado, não me sinto apto. Sou calouro desafinado, buzinado nos poucos minutos da apresentação. Piso na bola à poucos metros da linha do gol. Gaguejo na entrevista. Tropeço em cadarços soltos. Não consigo subir os degraus da piedade.
Continuo em falta com a divindade. Sou um constrangimento religioso. Depois de décadas, nada poupei para a velhice. Frustrei os anseios paternos. Constrangi mamãe em seus últimos dias de vida. Despedaço o ícone que fizeram de mim. Não dou vida ao mito. Anseio permanecer comum. Rasgo o simulacro da personagem que apresento nos palcos.
Admito a minha impotência. Dispo-me da capacidade dos ungidos. Não consigo decretar milagre. Fico sem encabrestar o meu próximo. Meus argumentos não passam de arrazoamentos inconvincentes. Nada me chega fácil. Aprendo devagar. Esqueço o que decorei. Não me antecipo aos incidentes. Não controlo o porvir. Desconheço a saída do labirinto.
Os erros passados me aterrorizam. Sou melancólico. Pressinto que transgredi a lei, maculei a eternidade, constrangi estatutos infinitos. A maldade dos outros é mínima; sou pior. Os erros dos outros, irrelevantes; sou pior. Cabisbaixo, procuro a penitência mais adequada para o meu pecado.
Depois de admitir-me fracassado, impotente e culpado, faço as pazes com a minha alma. Pergunto: quem estabeleceu uma régua para eu me medir? Quem me outorgou o mandato de controlar as variáveis incontroláveis do universo? Qual o sentido deixar que a culpa me atole na lama da autocomiseração?
Não preciso desempenhar para ser precioso. Não preciso manipular para experimentar liberdade. Não preciso ser perfeito para despistar o remorso. Levanto a cabeça. Sei que o meu valor não depende de alcançar a perfeição. Pisoteio o fracasso, desdenho a impotência e faço da culpa uma aliada para recriar o futuro.
______________________________________
(Soli Deo Gloria)
Pr Ricardo Gondim
(Transcrito do site http://www.ricardogondim.com.br/, link Estudos)Acesse nossos sites musicais, baixe todas as músicas, ouça-as e deleite-se no Senhor!
_____________________________
Pr Eduardo Silva
Assinar:
Postagens (Atom)